Expressões racistas para riscar do vocabulário

Conheça as expressões racistas para riscar do vocabulário. Você sabia que diversas expressões presentes no cotidiano dos brasileiros são racistas? É comum escutar, por exemplo, “vou dormir cedo que amanhã é dia de branco” ou “olha que mulata bonita”. Não se engane! Podem parecer simples “brincadeiras” ou “só jeito de falar”, mas essas palavras são ofensivas e têm origens na época colonial. Confira algumas expressões racistas e como substituir os termos.

Cartilha o racismo sutil por trás das palavras, elaborada pelo Ministério Público do Distrito Federal e Secretaria de Justiça e Cidadania.

“A coisa tá preta”

A expressão associa o “preto” a uma situação desconfortável, desagradável, difícil e até perigosa. Em vez disso, pode-se dizer “A coisa está difícil”.

“Denegrir”

No dicionário, denegrir significa “fazer ficar mais negro”, mas no cotidiano é usado como sinônimo de difamar, associando o “tornar-se negro” como algo ofensivo. Pode trocar essa expressão facilmente usando somente “difamar” ou “depreciar”, dependendo do contexto.

“Lista negra”

Da mesma forma que “denegrir”, usar “negro” para descrever algo que é ruim tem um peso muito negativo, tornando-o pejorativo. Se for necessário, pode dizer apenas “lista”.

“Mercado negro”

O mercado negro é aquele que promove ações ilegais. Mais uma vez a palavra negra sendo sinônimo de ilícito. Desta forma, trata-se de “mercado ilegal”; “mercado ilícito”

“Criado mudo”

Esse termo refere-se ao escravo que ficava em pé, ao lado da cama a noite toda em silêncio, normalmente segurando água e objetivos para servis os “senhores”. Pode usar “mesa de cabeceira, de apoio”.

“Mulata” ou “Morena”

Esse termo é usado com a ideia de sedução ou sensualidade ligada a mulher negra. É mais um caso de expressão a ser retirada do cotidiano. Além disso, muitas pessoas acreditam que chamar a pessoa de negra é ofensa e, por isso, tentam amenizar com a palavra morena.

“Cor de pele”

Pense um pouco em qual é a “cor da pele”. Em um mundo racista, a cor de pele é denominada como o tom meio rosado ou bege (lembra da caixa de lápis de cor da escola?). No entanto, o tom não representa a pele de toda a população, ou seja, o bege ou rosado não deve ser definido como cor de pele. Use o nome das cores. Outra expressão parecida é “da cor do pecado”, usada para referir-se a uma pessoa preta, mas perpetua a visão de que ser negro é algo pecaminoso e impuro.

“Samba do crioulo doido”

Esse é o título do samba que satirizava o ensino de História do Brasil nas escolas do país nos tempos da ditadura. No entanto, a expressão debochada é comumente usada para se remeter a uma confusão ou trapalhada, reafirmando um estereótipo e a discriminação aos negros.

“Nega maluca”

A personagem nega maluca é a representação exacerbada e totalmente estereotipada da mulher negra: preta, pobre, descabelada e com sua sexualidade explorada. Por isso, esse termo não pode ser mais usado, porque coloca a mulher negra dentro de um padrão considerado vulgar por pessoas preconceituosas.

“Meia tigela”

A expressão surgiu há muito tempo, envolvendo o sofrimento dos negros que trabalhavam à força nas minas de ouro e que nem sempre conseguiam alcançar suas “metas”. A punição nesses casos era receber apenas metade da tigela de comida, além de serem apelidados de “meia tigela”. Em vez disso, pode-se dizer simplesmente “sem valor”.

“Doméstica”, “do lar” ou “ela só trabalha em casa”

O termo “doméstica” ainda hoje está nos lares brasileiros para se remeter a uma auxiliar de serviços gerais, mas traz uma carga racista histórica. Isso porque domésticas eram as mulheres negras escravizadas que trabalhavam dentro das casas das famílias brancas por serem consideradas “domesticadas”. Já o termo “do lar” tende a sugerir uma limitação da mulher, indicando que ela não faz mais nada além de cuidar dos serviços de casa. O mesmo acontece em “ela só trabalha em casa”, já que o termo “só” indica uma limitação. Todos eles podem ser substituídos por “auxiliar de serviços gerais”.

“Inveja branca”

Na contramão de outros termos, esse significa que a inveja branca é uma inveja “do bem”, que não faz mal. No entanto, isso associa a cor branca como algo bom, que não machuca, ao contrário do negro. Se sente inveja, use apenas essa palavra: inveja.

“Feito nas coxas”

Uma das vertentes da origem da expressão popular “feito nas coxas” deu-se na época da escravidão brasileira, onde as telhas eram feitas de argila, moldadas nas coxas de escravos. Por isso, esse termo não deve ser usado. Ele pode ser substituído por “mal feito”.

Fonte: Ministério Público do Distrito Federal e Secretaria de Justiça e Cidadania